Quem narra um conto, aumenta um ponto: responsabilidade social e escrita colaborativa a partir dos desenhos infanto-juvenis da Guerra do Contestado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/nupem.2022.14.33.64-82

Palavras-chave:

Guerra do Contestado, Desenhos infantis, História pública, História do tempo presente

Resumo

O que as crianças têm a dizer sobre experiências de repressão, violência e morte em tempos de guerra e de acirramento de repressão política? Tendo como ponto de partida oito desenhos produzidos por crianças que vivem em um dos municípios que serviu de palco para a Guerra do Contestado, convido a uma reflexão sobre a escrita colaborativa entre escola e universidade. A descrição interpretativa foi usada como método e como estratégia narrativa do texto. Por meio dela, mantém-se o compromisso de levar adiante o que foi contado ao autor, ao mesmo tempo que buscou cruzar esse relato com informações complementares disponíveis na historiografia e na documentação sobre o Contestado. O resultado proposto é uma escrita colaborativa que articula relato de experiência com análise de imagens, responsabilidade ética com compromisso social com a memória e a história dos mortos e dos remanes-centes vivos do Contestado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Fontes

BARBOSA, Luiz Alberto de Souza. [Sem título]. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

FERREIRA, Vitor. [Sem título]. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

GOES, Paulo Ricardo. Guerra do Contestado. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

HENRIQUE, José. Que seja abençoada essa água. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

PAOLAZZI, Letícia. [Sem título]. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

RODRIGUES, Rogério Rosa. Quando o corpo fala: ensino de história e produção de presença sobre a Guerra do Contestado. VI Simpósio Nacional – Contestado. 20 out. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3Q18yEP. Acesso: 05 ago. 2022.

SANTOS, Iandra Luana Goette dos. Guerra do Contestado. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

SIABENI, Mateus Nogueira. O trilho da morte. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

SILVA, Paulo Cesar da. [Sem título]. Lebon Régis: Associação Cultural Coração do Contestado, 2020.

Referências

ASSUMPÇÃO, Herculano Teixeira de. A Campanha do Contestado: as operações da Columna do Sul. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas de Gerais, v. 1, 1917.

BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de história. In: LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005, p. 41-146.

BORGES, Viviane Trindade; RODRIGUES, Rogério Rosa (Orgs.). História pública e história do tempo presente. São Paulo: Letra e Voz, 2021.

DIACON, Todd. Millenarian Vision, capitalist reality: Brazil’s Contestado Rebellion. Durhan: Duke University Press. 1991.

ESPIG, Márcia Janete; et al. (Orgs.). O lugar do Contestado na história do Brasil. Vitória: Milfontes, 2022.

ESPIG, Marcia Janete. Personagens do Contestado: os turmeiros da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (1908-1915). Pelotas: Editora Universitária/UFPel, 2011.

ESPIG, Márcia Janete; KUNRATH, Gabriel. Os mapas de devoção a São João Maria: um estudo sobre lugares de memória e fé popular nos estados do sul do Brasil. In: TOMPOROSKI, Alexandre; ESPIG, Márcia Janete (Orgs.). Tempos de muito pasto e pouco rastro. São Paulo: Liber Ars, 2018, p. 135-153.

FACHEL, José Fraga. Monge João Maria: recusa dos excluídos. Porto Alegre; Florianópolis: Editora da UFGRS/UFSC, 1995.

KARSBURG, Alexandre de Oliveira. O eremita das Américas: a odisseia de um peregrino italiano no século XIX. Santa Maria: Editora da UFSM, 2014.

KUNRATH, Gabriel. Não tivemos outro jeito: ou morríamos ou nos defendíamos, uma análise acerca da Batalha do Irani (1912). 172f. Mestrado em História pela Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, 2020.

MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado: a formação e a atuação das chefias caboclas (1912-1916). Campinas: Editora da Unicamp, 2004.

MONTEIRO, Duglas Teixeira. Os errantes do novo século: um estudo sobre o surto milenarista do Contestado. São Paulo: Duas Cidades, 1974.

QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Messianismo e conflito social: a guerra sertaneja do Contestado: 1912-1916. São Paulo: Ática, 1981.

RODRIGUES, Rogério Rosa. Tempo-do-agora (Jetztzeit), história do tempo presente e Guerra do Contestado. Tempo e Argumento, v. 13, n. esp., p. 1-40, 2021a.

RODRIGUES, Rogério Rosa. A solidão das testemunhas: trauma, memória e história do Contestado. In: BORGES, Viviane Trindade; RODRIGUES, Rogério Rosa (Orgs.). História pública e história do tempo presente. São Paulo: Letra e Voz, 2021b, p. 51-70.

RODRIGUES, Rogério Rosa. Veredas de um grande sertão: a Guerra do Contestado e a modernização do Exército Brasileiro. 430f. Doutorado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2008.

PLURAL FILMES. Para não esquecer a guerra: pré-estreia na “Mostra terra, fé e liberdade”. Facebook. 25 jun. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3cWDp6z. Acesso em: 05 ago. 2022.

SILVA, Emmanuel Fernandez da. Matéria contestada: cultura material, memória e história da Guerra do Contestado nos museus catarinenses. 76f. Graduação em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Florianópolis, 2022.

SILVA, Luiz Carlos da. Museus do Paraná e Santa Catarina: formas de lembrar e esquecer a Guerra Sertaneja do Contestado (1912-2012). 320f. Doutorado em História pela Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2017.

TOMPOROSKI, Alexandre Assis. O polvo e seus tentáculos: Southern Brazil Lumber and Colonization Company e as transformações impingidas ao planalto contestado, 1910-1940. 282f. Doutorado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2013.

VALENTINI, Delmir José. Atividades da Brazil Railway Company no sul do Brasil: a instalação da Lumber e a Guerra na região do Contestado (1906-1916). 301f. Doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2009.

WELTER, Tânia. Encantado no meio do povo: a presença do profeta São João Maria em Santa Catarina. São Bonifácio: Edições do Instituto Egon Schaden, 2018.

Downloads

Publicado

2022-09-02

Edição

Seção

Dossiê: Tecituras do conhecimento histórico nas trilhas da autoridade compartilhada