FLOREIO NA CAPOEIRA: ENCANTAMENTO E DESENCANTAMENTO

Autores

  • Lívia de Paula Machado Pasqua

Resumo

Um dos maiores desafios para bailarinos-pesquisadores-intérpretes, ou estudiosos-jogadores, no caso especí­fico da Capoeira, é a tradução de suas pesquisas sobre saberes corporais para o formato de um texto acadêmico. Tratar sobre o floreio da Capoeira está para além do gesto acrobático visí­vel, implica em compreender a complexidade desse objeto de estudo, as trajetórias desse saber corporal bem como o seu lado sensí­vel e intangí­vel. Assim, este ensaio tem como objetivo demonstrar como pude jogar-dançar-lutar com a minha tese de doutorado intitulada "Capoeira e diáspora africana: uma interpretação sobre os floreios" e como floreei com a minha pesquisa capoeiristicamente. A partir de mensagens-texto escritos por uma personagem fictí­cia, a rainha Nzinga, diluí­das na tese, foi possí­vel alimentar o lado sensí­vel desse objeto de estudo, por meio de encantamentos e desencantamentos ocorridos na trama, preparando a pessoa leitora para a compreensão do texto da pesquisa. Assim, mediante essa estratégia, foi possí­vel refletir sobre o contexto da diáspora africana, a migração forçada de pessoas escravizadas, as armas necessárias para combater a opressão, a luta e a resistência, a complexidade de diferentes estéticas ancestrais presentes na gestualidade da Capoeira e a beleza e encanto expresso pelo floreio, pelo florear e pelo floreado.

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