Concepções de cultura digital na formação docente: uma análise do conceito na percepção de licenciandos
DOI:
https://doi.org/10.33871/23594381.2026.24.2.12352Resumo
Compreender como a cultura digital é concebida pode ser uma chave para interpretar processos centrais da vida contemporânea e, no campo da formação docente, adquire peso adicional, pois os licenciandos são, ao mesmo tempo, sujeitos imersos na cultura digital e futuros mediadores desta cultura em sala de aula. Este artigo investiga como estudantes de licenciatura de dez polos de um curso pela Universidade Aberta do Brasil concebem a cultura digital, e o que essa concepção revela sobre lacunas e oportunidades formativas. Adotou-se a Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), percorrendo as fases de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, sobre 333 respostas conceituais produzidas em um componente curricular. A codificação temática, de tipo multirrótulo, organizou-se em sete categorias conceituais e seis categorias de exemplos. Os resultados revelam uma concepção estruturada em camadas: predominam as dimensões tecnológico-instrumental (87%) e comunicacional-relacional (82%), seguidas das dimensões informacional (67%) e cotidiana (66%), enquanto a leitura antropológica, a cultura digital como modo de vida, comparece em 47% e a dimensão crítica em apenas 19%. Entre os exemplos, dominam as redes sociais (52%) e o entretenimento (32%). Conclui-se que os licenciandos percebem com clareza o que se faz com a tecnologia e como ela conecta pessoas, mas tendem a estacionar nessa camada, sem avançar para os sentidos antropológico e crítico do fenômeno. Esse silêncio antropológico constitui o achado mais distintivo do estudo e aponta, de forma concreta, três deslocamentos que a formação docente é chamada a promover: do instrumento ao modo de vida, do consumo à autoria e da facilidade à criticidade.
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Referências
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