Ser professora de Ciências Naturais: motivações e desafios analisados pela perspectiva de gênero
DOI:
https://doi.org/10.33871/23594381.2026.24.2.12216Resumo
Mulheres são minoria em cursos de exatas em âmbito mundial, mas naqueles relacionados ao cuidado, como cursos na área de Saúde e Pedagogia, são maioria quando comparada à quantidade de homens. Diante desse panorama, este estudo buscou compreender os fatores que influenciaram as professoras de Ciências Naturais a escolherem essa carreira, bem como investigar as suas principais dificuldades durante a formação acadêmica. Participaram desta pesquisa de natureza qualitativa, 11 professoras de Ciências que atuam nos anos finais do ensino fundamental e, formadas no mesmo curso de licenciatura em Ciências Naturais de uma universidade pública federal. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas de maneira on-line e os dados analisados pela metodologia de Análise Textual Discursiva, sendo identificadas quatro categorias iniciais emergentes: 1. “Autoimagem e percepções”; 2. “Escolha do curso”; 3. “Experiências Acadêmicas: Acolhimento, aprendizado e discriminação”; e, 4. “Professora e Mulher cientista”. Os resultados demonstraram que a escolha pela docência, assim como a permanência nesse curso, esteve associada a diferentes fatores, entre eles aspectos afetivos, sociais, econômicos e históricos. Apesar de algumas professoras não terem a docência como primeira escolha, foram influenciadas a permanecerem no curso devido ao ambiente universitário acolhedor, fato que ressignificou a identidade profissional delas. No entanto, houve denúncias de episódios misóginos e machista em algumas disciplinas que cursaram, evidenciando a importância de políticas e ações educativas de enfrentamento ao sexismo. Estas docentes relataram que, a partir de suas formações acadêmicas e vivências escolares, sentem-se professoras e cientistas capazes de produzir conhecimento em contextos diversos, especialmente na escola.