DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA FORMAÇÃO DOCENTE NO ENSINO A ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO DE LITERATURA[1]

 

CHALLENGES AND PROSPECTS FOR TEACHER TRAINING IN EDUCATING STUDENTS WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER: A LITERATURE REVIEW

 

Paulo Ricardo Viana de Carvalho[2]

Igo de Moura Varão Arrais[3]

Jerry Wendell Rocha Salazar[4]

RESUMO

 

Esta pesquisa visa analisar os desafios e perspectivas sobre o impacto da formação docente para inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos ambientes escolares. Nesse contexto, a formação docente representa uma das bases para a implementação da inclusão. Aponta-se como objetivo principal analisar como a capacitação dos professores contribui na qualidade do ensino proporcionado aos alunos com TEA a partir de corpus publicados em banco de teses e dissertações de instituições públicas do país. Para a concretização do objetivo geral a metodologia versa sobre o caráter qualitativo. Metodologicamente, foi realizada durante o mês de janeiro de 2026 uma revisão bibliográfica em publicações de 2024 a 2026. A coleta dos dados foi realizada nas bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library OnLine), Banco de Teses e Dissertações da CAPEs e Repositório Institucional da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Inclui-se estudos alinhados diretamente ao tema da pesquisa; estudos que analisam a relação entre formação docente e inclusão e todos os tipos de delineamentos metodológicos foram aceitos e excluiu-se os estudos sem dados suficientes para análise, monografias e estudos duplicados. Inicialmente 37.535 estudos foram selecionados, após filtragem resultaram 110 trabalhos, dos quais após leitura inicial, 06 compuseram a finalização da revisão. Por fim, a pesquisa constatou a existência de desafios na concretização da inclusão escolar e que muitos professores se sentem despreparados para lidar com alunos com TEA, fator potencializado pela falta de formação docente. Nesse sentido, fica evidente a necessidade de reformulação das práticas formativas dos educadores.

 

Palavras-chave: Formação de Professores. Educação Inclusiva. Transtorno do Espectro autista. Ensino.

 

ABSTRACT

 

This study aims to analyze the challenges and perspectives regarding the impact of teacher training on the inclusion of students with Autism Spectrum Disorder (ASD) in school settings. In this context, teacher training represents one of the foundations for implementing inclusion. The main objective is to analyze how teacher training contributes to the quality of education provided to students with ASD, based on a corpus of published works in the thesis and dissertation databases of public institutions in Brazil. To achieve this general objective, the methodology is qualitative in nature. Methodologically, a literature review of publications from 2024 to 2026 was conducted during the month of January 2026. Data were collected from the following databases: SciELO (Scientific Electronic Library Online), CAPES’ Thesis and Dissertation Database, and the Institutional Repository of the State University of Maranhão (UEMA). Studies directly related to the research topic were included; studies analyzing the relationship between teacher education and inclusion, using all types of methodological designs, were accepted, while studies lacking sufficient data for analysis, monographs, and duplicate studies were excluded. Initially, 37,535 studies were selected; after filtering, 110 studies remained, of which, following an initial review, 6 were included in the final review. Finally, the study found that there are challenges in achieving school inclusion and that many teachers feel unprepared to work with students with ASD, a factor exacerbated by a lack of teacher training. In this regard, the need to reformulate teacher training practices is evident.

 

Keywords: Teacher Training. Inclusive Education. Autism Spectrum Disorder. Teaching.

 

Editores do dossiê: Profa. Dra. Ana Maria de Barros (UNESPAR), Profa. Dra. Elisa Tomoe Moriya Schlünzen (UNESP) e Prof. Dr. Edison Trombeta de Oliveira (CPS - Centro Paula Souza)

 

INTRODUÇÃO

 

Nas últimas décadas a educação inclusiva ganhou expressivo destaque nas políticas públicas brasileiras que visam a inclusão de todos nos ambientes escolares, no entanto, ainda existem entraves significativos para sua efetivação como uma política pública eficaz, o que torna impreterível entendermos os aspectos que podem contribuir para sua implementação.

A formação dos professores é uma ação que favorece o processo de inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse sentido, a formação docente é peça fundamental para o desenvolvimento de competências essenciais para atuação nos diversos contextos, incluindo os inclusivos. Tendo em vista que, os estudos recentes indicam que os conhecimentos específicos para atuar com alunos com TEA ainda são obstáculos à inclusão (Da Silva & Zucchetti, 2023).

Embora a formação docente tenha ganhado destaque no cenário acadêmico e o número de pesquisas tenha aumento de forma significativa, ainda é clara a necessidade de ações para promover a constante formação docente já que, muitos professores não obtiveram uma formação inicial voltada para inclusão de alunos com TEA, dessa forma, é necessário que sejam oportunizados recursos e suportes para que tais profissionais recebam uma formação inicial e continuadas para o ensino destes alunos.

Nesse pensamento a formação docente representa uma forma de propiciar a todas unidades de ensino, ações que fortaleçam a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas. Portanto, as análises realizadas nesse estudo buscam a implementação de práticas mais inclusivas, desempenhando papel central na ampliação da inclusão e evidenciando a importância do desenvolvimento de habilidades educativas tão essenciais para lidar com as diferenças.

Nesse contexto, é evidente a importância da formação docente, porém, a efetividade da inclusão está alinhada diretamente a fatores que em grande parte estão fora do controle dos educadores, como por exemplo, às condições institucionais e ao apoio da gestão escolar. Além disso, a ampliação das políticas públicas de inclusão são fatores indispensáveis para ampliação da educação inclusiva de qualidade.

A importância de fortalecer os processos formativos para professores especialistas e regulares que atuam com alunos com TEA, é evidente pelo potencial de minimizar práticas de ensino que segregam o estudante deficiente e podem contribuir para diminuir sentimentos de insegurança ao atuar no ensino de alunos com TEA. 

Portanto, buscou-se responder ao longo do estudo a seguinte pergunta-norteadora apresentada como problema da pesquisa: Como os textos publicados em banco de teses e dissertações de instituições públicas e pesquisas evidenciam a importância da formação docente para atender às necessidades específicas dos alunos com TEA, evidenciando os desafios e perspectivas? Desta forma, esse questionamento guiou e foi explorado ao longo deste estudo, promovendo debates acerca da temática proposta.

 Este estudo apresenta como objetivo principal analisar os desafios e perspectivas acerca de como a capacitação dos professores contribui na qualidade do ensino proporcionado aos alunos com Transtorno do Espectro Autista a partir de corpus publicados na base de dados SciELO e banco de teses e dissertações de instituições públicas do país e como objetivos específicos: 1) Identificar, por meio de textos publicados na base de dados SciELO e banco de teses e dissertações de instituições públicas, pesquisas que evidenciem a importância da formação docente para atender às necessidades específicas dos alunos com TEA; 2) Apontar, a partir do corpus selecionado, quais as percepções dos educadores em relação ao impacto de sua própria formação para o ensino de alunos com TEA e 3) Investigar se os dados coletados tomam, de caráter efetivo, a importância da constante formação docente para uma prática pedagógica inclusiva.

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

Na perspectiva defendida pelo educador Paulo Freire é fundamental a compreensão da importância do papel do professor para efetivação de uma educação de qualidade, pois a formação docente representa uma forma de construir habilidades pedagógicas indispensáveis para o processo de ensino. No anseio de uma educação inclusiva de qualidade a formação docente representa a oportunidade de construir a consciência crítica e práticas que fortalecem a autonomia docente (Freire, 2009).

Desse modo, é impreterível que o educador se adapte ao aprendizado, pois, é necessário entender e respeitar os limites de cada estudante. Destaca-se ainda a importância da constante formação docente para o ensino dos alunos com TEA, visto que crianças com autismo apresentam limitações e por isso necessitam de cuidados especiais para que sejam superadas (Brussieri, 2025).

Nóvoa (2009) corrobora o entendimento de Freire sobre a importância da formação docente, ao destacar que há uma constante necessidade de fomentar ações que transformem em rotineiras a inclusão nos ambientes escolares. Para efetivação dessas ações se torna fundamental que haja melhorias na formação inicial e continuada dos educadores para garantir aos alunos com TEA o direito a uma educação de qualidade que compreenda ações para minimizar as limitações do espectro.

Na busca de ambientes escolares mais inclusivos, a formação docente deve ser analisada e debatida, propondo a todos os profissionais da educação reflexões sobre a iminente necessidade de se capacitar para atender a diversidade existente nos ambientes escolares. É fundamental que essa reflexão extinga práticas de exclusão que possam existir nos ambientes de ensino (Mantoan, 2015).

Historicamente foi apenas após publicação da Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que estabelece a formação para inclusão como fator indispensável desde a formação inicial onde os professores da educação básica desenvolvem as competências necessárias para ensinar alunos com necessidades educacionais. Portanto, ações para formar os professores que atuarão com alunos autistas é uma estratégia que visa suprimir as dificuldades relacionadas à complexidade do espectro (Brasil, 2001).

Embora existam leis que garantam a inclusão de todos nas escolas de ensino regular, observa-se a existência de desafios para que esse direito seja efetivado. Assim, sentimentos como medo e insegurança prevalecem no ambiente escolar nos primeiros contatos entre o professor e o aluno com TEA (Weizenmann et al., 2020).

A política nacional de educação inclusiva (PNEEI) explica que: “A garantia do padrão de qualidade educacional, no âmbito da PNEEI, deverá ser expressa a partir do conjunto de apoios necessários ao acesso, à permanência, à participação e à aprendizagem” (Brasil, 2026 p. 1). Nesse sentido, compreende-se que embora seja evidente a importância da formação docente, ela necessita de articulação com outros fatores, como estrutura física ou apoio da gestão, para que realmente existam práticas inclusivas.

 Nesse contexto, todo aluno com necessidade especial possui o direito de ter uma educação especializada que o acolha e considere as diversidades sociais apresentadas, assim, a inclusão escolar deve ter como objetivo assegurar que todos os alunos sejam inseridos de forma ativa no processo de ensino. Logo, é necessário compreendermos a importância da capacitação do profissional para efetivação desse direito (Mendes, 2017).

Mantoan (2015) destaca que o acesso e a permanência do aluno com necessidades especiais na educação básica são garantias fundamentais, então, compreender e analisar todas metodologias necessárias para que tais alunos tenham acesso a um ensino de qualidade é indispensável para uma educação isonômica. Desta forma, serviços adaptados às necessidades especiais, ajuste de currículos e adequação de recursos são algumas ferramentas que favorecem a permanência e o aprendizado do aluno, no entanto, se torna indispensável que o profissional que atua na educação básica esteja qualificado para a função.

Nesse mesmo sentido, Brussieri (2025) enfatiza que no caso das crianças com autismo é fundamental que os professores conheçam com profundidade os conceitos relacionados ao TEA, para que possam entender e estimular o desenvolvimento de estratégias que diminuam as barreiras levantadas pelo espectro. Então, mediante essa constante formação docente será possível garantir aos alunos com TEA os direitos assegurados desde 1990, pela proposta da “Educação Inclusiva” impulsionada ainda, pela declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) que destaca movimentos como o “educação para todos”, que busca garantir igualdade e equidade de direitos para as pessoas com deficiência.

Em seu estudo Da Silva e Zucchetti (2023) enfatiza que a efetivação da inclusão ainda se encontra longe do ideal, pois, para efetivação desse direito, a escola necessita de investimentos financeiros e novos movimentos pedagógicos que em muitos casos são negligenciados. Portanto, por mais que os direitos estejam garantidos pelas políticas públicas, ele ainda se encontra aquém do desejado.

Desse modo, é indispensável a realização de ações que minimizem essas dificuldades e oportunizem a todos os alunos condições de acesso e permanência ao sistema de ensino. Fortalecendo o papel da escola de acolher e incluir todos no processo de ensino e aprendizagem e proporcionando adaptações curriculares que garantam o desenvolvimento de todos os alunos.

Sob essa perspectiva, todo aluno com necessidade educacional especial possui o direito de ter uma educação especializada que o acolha e considere as diversidades sociais apresentadas. A inclusão escolar objetiva então assegurar que todos os alunos sejam inseridos de forma ativa no processo de ensino. Por esse motivo, é necessário compreender a importância da capacitação do docente para efetivação desse direito (Haviaras, 2020).

Desse modo, a consolidação da formação docente em inclusão como metodologia de aperfeiçoamento profissional é uma forma de transformar o cenário educativo escolar permitindo que seja construído um ambiente de constante troca de saberes e reflexões, aproximando a cultura escolar da inclusão. O que possibilitará uma formação continuada acessível, personalização do ensino, desenvolvimento de práticas pedagógicas colaborativas e o fortalecimento das práticas inclusivas.

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

Este estudo se classifica como uma pesquisa básica qualitativa, considerando seus objetivos se classifica como um estudo exploratório. Em relação aos procedimentos técnicos se estabelece como uma pesquisa bibliográfica com buscas em bases de dados para revisão de literatura, com o intuito de coletar e mapear estudos, acerca da capacitação dos professores para o ensino de alunos com TEA. Segundo Cavalcante e Oliveira (2020) a revisão bibliográfica tem como foco buscar na vasta base de dados de investigações científicas informações para posteriores discussões sobre o tema.

Destacando que embora existam trabalhos relacionados ao tema, vale ressaltar que esse estudo corrobora o entendimento de que a constante formação docente tem grande potencial para transformar o cenário educacional brasileiro, especialmente para inclusão de alunos com TEA, pois por meio dela é possível o desenvolvimento de estratégias pedagógicas para melhoria do ensino inclusivo.

Dessa forma, em janeiro de 2026, mediante buscas on-line, buscou-se produções científicas que se relacionassem diretamente ao tema do estudo em publicações de 2024 a 2026, tendo em vista a análise das publicações mais recentes. As buscas foram realizadas de forma exploratória viabilizadas pelas bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library OnLine), Banco de Teses e Dissertações da CAPES e Repositório Institucional da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). A escolha dessas bases de dados justifica-se por possibilitarem um amplo rol de estudos que subsidiam a análise das informações, além disso, são bases de dados que possuem acesso aberto, o que facilita  a obtenção dos dados.

O processo de busca guiou-se na utilização de quatro grupos de descritores e palavras-chave: Formação de Professores; Educação Inclusiva; Transtorno do Espectro Autista e Ensino, que foram combinados aos operadores booleanos “AND” e “OR”, por meio do recurso de busca avançada. Buscando a ampliação dos resultados foram realizadas combinações entre os descritores durante as buscas, assim foi possível a realização de buscas mais fidedignas e a conexão dos diferentes conceitos.

No que diz respeito ao aumento da confiabilidade e segurança dos processos de buscas foram utilizados critérios de inclusão, onde foram inseridos na pesquisa apenas os estudos publicados no período de 2024 a 2026, pesquisas alinhadas diretamente ao tema da revisão bibliográfica, estudos disponíveis de forma integral, estudos que analisam a relação entre formação docente e inclusão de alunos com TEA e todos os tipos de delineamentos metodológicos foram aceitos. E foram excluídos da pesquisa os estudos duplicados, estudos publicados anteriores a janeiro de 2024, trabalhos com ausência de dados suficientes para análise e os estudos que não abordam diretamente o tema desta revisão.

O processo de seleção dos estudos guiou-se por quatro etapas sucessivas, sendo elas: identificação dos estudos nas bases de dados, aplicação dos filtros definidos, leitura de títulos e do resumo e por fim foi realizada leitura integral dos estudos selecionados.

Considerando todas as combinações dos descritores nas bases de dados, o número total de estudos encontrados após pesquisa inicial foi de 37.535, dos quais, após a filtragem por data de publicação, trabalhos completos e estudos duplicados, foram eliminados 35.394 estudos, restando 2.141 estudos. Para assegurar o foco e a qualidade da análise foram utilizados critérios extras de exclusão, sendo retirados os estudos que não estavam relacionados diretamente à formação docente e trabalhos que discutiam formação docente sem discutir seu impacto na inclusão dos alunos com TEA o que reduziu para 110 trabalhos selecionados, desta maneira, a triagem dos estudos seguiu mediante a leitura do título e resumo, resultando em 6 trabalhos selecionados que compuseram a versão final da revisão.

A análise e interpretação dos dados segue viés qualitativo, buscando uma compreensão crítica dos resultados, para isso, será utilizado a análise de conteúdo categorial. Desta forma, os estudos serão analisados utilizando a análise de conteúdo de Bardin. Consistindo em três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, inferência e interpretação, o que possibilitou estabelecer relações entre os estudos selecionados e posteriormente detectar as lacunas, convergências e as contribuições para o processo de inclusão de estudantes com TEA (Bardin, 2016).

Diante da leitura dos estudos selecionados, estabeleceu-se três categorias analíticas que se relacionam diretamente: 1) formação inicial e continuada para ensino de estudantes com TEA, 2) Contribuição da formação docente para melhoria das práticas pedagógicas inclusivas e 3) Desafios e perspectivas para melhoria da formação docente perante a inclusão de alunos com TEA.

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

O corpus de uma pesquisa com teor bibliográfico se fundamenta na base dos dados coletados. Assim sendo, investigou-se em fontes oficiais e repositórios pesquisas as quais atendessem sobre os desafios e perspectivas acerca de como a capacitação dos professores contribui na qualidade do ensino proporcionado aos alunos com TEA. Essa sondagem foi realizada com o intuito de coletar e mapear estudos, acerca dos desafios e perspectivas da formação docente no ensino a alunos com TEA, em publicações de 2024 a 2026, tendo em vista analisar os dados mais recentes.

Distribuição dos estudos (Tabela 1) de acordo com o autor/ano, título, objetivo, principais resultados e a relação direta com a sua pesquisa sobre os desafios e perspectivas da formação docente no ensino a alunos com Transtorno do Espectro Autista:


 

Tabela 1 - Distribuição dos estudos de acordo com o autor/ano, título, objetivo e principais resultados

AUTOR(ES)/

ANO

TÍTULO

OBJETIVO

PRINCIPAIS RESULTADOS

GARBARINO, M. I.

(2025)

Os monstros da razão na formação docente: ressonância da meritocracia e da medicalização na educação inclusiva

Analisar como a meritocracia e a medicalização influenciam a formação docente e produzem angústia no contexto da educação inclusiva.

O estudo evidencia que a formação docente tem sido guiada por uma lógica neoliberal que prioriza desempenho, eficiência e controle, dessa forma a angústia docente surge da necessidade constante de se cumprir essa eficácia.

MICHELS, M. H., & GARCIA, R. M. C.

(2025)

Conservadorismo persistente no núcleo comum de conhecimentos na formação inicial e nas exigências formativas para os professores na educação especial

Identificar o núcleo comum de conhecimentos exigido na formação inicial e no recrutamento de professores de Educação Especial.

É evidenciado que o núcleo formativo prioriza aspectos legais e classificatórios, dando ênfase na identificação das deficiências. Dessa forma a formação aparece fragmentada sem foco na didática e nas mediações pedagógicas.

DANTAS, T. C.

FARIAS, A. Q., & BEZERRA, A. V.

(2024)

Inclusão escolar e formação de professores no estado da Paraíba: percepções dos egressos de uma formação Latu sensu em atendimento educacional especializado

Analisar as contribuições de um curso de especialização para a atuação docente junto ao público da Educação Especial, incluindo TEA.

Evidenciou que a formação continuada ampliou identidade profissional; aumentando o conhecimento sobre TEA e AEE; maior segurança pedagógica; aplicabilidade prática dos conteúdos.

RODRIGUES, S. R. M. C., & SALES, L. C.

(2024)

Necessidades formativas do professor frente à demanda de alunos da educação especial em classes comuns

Analisar os avanços da inclusão do público da Educação Especial nas salas de aula

comuns da Educação Básica, considerando as necessidades formativas dos docentes nessa área específica.

Identificou a necessidade de fortalecimento da formação inicial, insegurança docente, e o distanciamento entre a teoria e a prática diárias, o que reforça a necessidade de políticas de formação continuada.

SCAMATI, V., CANTORANI, J. R. H., & PICININ, C. T.

(2025)

Os desafios na aprendizagem de indivíduos com transtorno de espectro autista (TEA): uma revisão

Investigar e aprofundar a compreensão dos fatores que influenciam a aprendizagem de indivíduos com TEA, considerando uma abordagem que articule as características inerentes ao espectro autista com a configuração do ambiente escolar.

O estudo demonstrou que os professores se sentem despreparados para lidar com a diversidade, além disso, destacou a necessidade de fortalecer a formação inicial, o que requer uma reorganização dos currículos e apoio institucional para o processo de inclusão de alunos com TEA.

OLIVEIRA, I. A.

(2024)

A formação em educação especial na região norte: um olhar para os cursos de pedagogia

Analisar a formação em Educação Especial na região Norte do Brasil

Os cursos de formação apresentam algumas fragilidades, uma delas está relacionada à falta de clareza em relação a existência de estágio supervisionado na educação especial, o que dificulta o processo formativo.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

 

Formação inicial e continuada para ensino de estudantes com TEA

 

Os estudos analisados possibilitam ampliar a compreensão sobre a importância da formação dos professores que atuam com alunos com TEA. Nesse contexto de constante formação, estudos apresentados por Rodrigues e Sales (2024) e Oliveira (2024) evidenciam que a formação docente tem potencial de minimizar os desafios inclusivos vivenciados no ambiente escolar, o que contribuiria para um ensino equitativo, já que os educadores teriam condições de compreender os desafios e possibilidades que são vivenciados no ensino de alunos com TEA, fomentando práticas pedagógicas efetivas e inclusivas.

Embora os estudos analisados evidenciam como crucial a qualificação dos educadores para inclusão nos ambientes escolares, devemos reconhecer que apenas a formação do professor não representa a efetivação da inclusão. As literaturas atuais destacam que são necessários um conjunto de ações que vão desde a oferta de estrutura física adequada até ao apoio da gestão escolar. Estudos como o de Rodrigues e Sales (2024) e Garbarino (2025), observam que o processo de formação docente ainda é guiada por uma lógica neoliberal, esse fator tem como prioridade a construção de padrões que possuem como prioridade a eficiência docente.

Essa constante busca por padrões de eficácia desperta no educador sentimentos de angústia, que por muitas vezes prejudicam a atuação docente. Enquanto isso, Scamati et al. (2025), destacam que diante das dificuldades no processo de inclusão é necessário que o educador receba todo apoio institucional necessário para fortalecer a formação docente e consequentemente melhorar a inclusão dos alunos com TEA.

Destaca-se que a ampliação das políticas públicas para inclusão representa uma forma de ampliar melhores condições de trabalho e formação permanente do educador. Esse pensamento se alinha diretamente com o que defende Mantoan (2015), ao defender que o sucesso da escola como instituição de ensino não depende exclusivamente do educador, pois todos que fazem parte do processo possuem responsabilidades e devem atuar em colaboração.

Portanto, assim como evidenciado por Rodrigues e Sales (2024), a formação inicial e continuada dos professores é o alicerce da efetivação de práticas pedagógicas mais inclusivas. Os autores evidenciam que a ampliação da formação docente, tem a potencialidade de transformar o cenário educativo de estudantes com TEA, já que possibilita a ampliação de práticas docentes que são mais inclusivas e adaptadas aos diversos perfis discentes.


 

Contribuição da formação docente para melhoria das práticas pedagógicas inclusivas

 

Autores como Michels e Garcia (2025) corroboram o entendimento de que para inclusão dos alunos com TEA, os cursos de formação devem abordar estratégias que discutam melhorias nas práticas pedagógicas inclusivas, reforçando o pensamento de que a formação deve ir além da identificação clínica, mas sim, focando nas estratégias que oportunizem uma didática contextualizada, pois, o que se evidenciou durante seu estudo foi que os cursos de formação de professores continuam centrados em diagnósticos e características, mas dão pouco destaque para didática, escolarização e fundamentos pedagógicos para o ensino inclusivo.

Esse entendimento é reforçado por Rodrigues e Sales (2024), ao apontarem que para o ensino inclusivo é necessário a superação de alguns desafios, do qual se destaca a necessidade de uma efetiva e constante qualificação docente para inclusão dos alunos com TEA. Fator esse evidenciado ao expor, em seu estudo, que a maioria dos professores participantes da pesquisa declararam necessidade moderada ou alta de formação específica, o que evidencia lacunas existentes na formação inicial dos educadores.

A pesquisa conduzida por Scamati et al. (2025) evidencia que os desafios formativos são estruturais, desse modo, as formações docentes devem ir além de teorias normativas, oferecendo então, suporte prático para atuação com estudantes da educação especial, incluindo TEA. Por sua vez Oliveira (2024), ao analisar cursos de pedagogia, evidencia que os cursos, como formação inicial, não são por si só capazes de atender por completo os anseios relacionados à formação para inclusão, já que as disciplinas específicas sobre inclusão não estão inseridas de forma horizontal no decorrer do curso.

Um dos pontos destacados por Oliveira (2024) é em relação aos estágios curriculares pois, a maioria dos currículos analisados não enfatizam ou deixam claro se há estágio supervisionado na educação especial, o que seria primordial para formação dos futuros educadores. Dessa forma, se enfatiza a necessidade de políticas públicas que deixem claro as diretrizes específicas para formação dos docentes do ensino regular e do ensino especializado, necessitando também de uma estreita articulação entre teoria e prática.

Desse modo, os estudos atuais dialogam diretamente com a pesquisa ao evidenciar que o maior desafio enfrentado pelos educadores para inclusão de alunos com TEA, estão relacionados à insuficiência da formação docente, identificando a necessidade de reformulação dos currículos, além da necessidade de investimentos constante em formação docente e fortalecimento do suporte pedagógico.

Nessa mesma perspectiva, Dantas et al. (2024) evidenciam que os cursos de especialização trouxeram contribuições significativas para mitigar os problemas relacionados à inclusão, não apenas para os profissionais participantes, mas para toda comunidade onde o aluno está inserido. Destacando em seu trabalho que além dos profissionais do AEE, professores do ensino regular e outros profissionais da educação buscaram realizar essas especializações, o que evidencia o desejo de se capacitarem para o ensino inclusivo. Ainda, destaca a necessidade da elaboração de projetos formativos que estejam em harmonia com as realidades escolares.

 

Desafios e perspectivas para melhoria da formação docente perante a inclusão de alunos com TEA

 

Os estudos analisados evidenciam que que muitos professores vivenciam sentimentos de angústia, impotência e desamparo por acreditarem que não obtiveram formação adequada para ensino, logo, a formação continuada se fortalece como um imperativo para reduzir pensamentos medicalizantes do autismo, funcionando então, como uma respostas às angústias vivenciadas. Autores como Rodrigues e Sales (2024), Scamati et al. (2025) e Oliveira (2024), identificam que os desafios vivenciados pelos educadores, estão relacionados principalmente à falta de formação específica para o ensino inclusivo.

Essa perspectiva é evidenciada por Garbarino (2025),  ao destacar a necessidade do estudo das narrativas docentes que busquem a construção de caminhos formativos, que levem em consideração os questionamentos e dilemas da inclusão, o que torna necessário a análise dos argumentos que definem a formação docente para educação inclusiva, como algo deficiente. 

No caso dos alunos com TEA o estudo de Garbarino (2025), possibilita a problematização sobre o uso de práticas centradas apenas em ações técnicas, o que contribui para que sejam feitas análises que busquem oportunizar formações que enfatizem o “como ensinar” o aluno autista. Mitigando práticas que não considerem aspectos como subjetividade, contexto escolar e as dimensões políticas da inclusão.

Além disso, a necessidade de pesquisas que analisem as percepções docentes se torna fundamental, haja visto que a formação docente deve estar direcionada às necessidades reais vivenciadas pelo educador. Dantas et al. (2024), evidencia em seu estudo que a formação docente é uma forma de ampliar a identidade profissional que além de favorecer melhorias nos conhecimentos sobre as especificidades do TEA amplia a segurança docente ao lidar com a diversidade existente no ambiente escolar.

Esses fatores têm a potencialidade de minimizar os sentimentos negativos relacionados à inclusão de estudantes com TEA, como o medo e a insegurança, fortalecendo a autonomia e segurança do professor.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

No decorrer deste estudo, buscou-se analisar os desafios e perspectivas acerca de como a capacitação dos professores contribui na qualidade do ensino proporcionado aos alunos com TEA, com o intuito de fomentar a efetivação da educação inclusiva, a partir de corpus publicados em banco de teses e dissertações de instituições públicas do país. Dessa forma, utilizou-se como base das análises os estudos publicados que discutem sobre a formação dos professores e seus impactos na inclusão de alunos com TEA. O presente estudo surge como ferramenta para entender e analisar os benefícios que a formação adequada do professor tem para o ensino de discentes autistas, levando em consideração a metodologia qualitativa.

Em virtude dos dados coletados, 6 (seis) trabalhos compuseram o número total de pesquisas da revisão bibliográfica. Diante disso, no que diz respeito à formação continuada, constatou-se a necessidade de renovação das práticas pedagógicas, o que destaca a importância de uma formação inicial voltada para inclusão de alunos com TEA evidenciando então, que a constante capacitação transforma positivamente as práticas educativas. Fator esse que a ser aplicado nas escolas brasileiras, efetivando uma educação mais inclusiva e eficiente.

A realidade da pesquisa também demonstrou que as dificuldades para implementação da inclusão ainda são existentes e que muitos profissionais se sentem despreparados para atuar diretamente no ensino de alunos com TEA, o que é evidenciado pela falta de formação inicial e continuada. Esse fator demonstra a necessidade de promoção da formação docente para que a inclusão seja bem sucedida. Todavia, observa-se a necessidade de articulação entre todos os profissionais, já que a responsabilidade sobre o sucesso da inclusão não é exclusiva do professor, é necessário ações conjuntas entre todos os envolvidos no processo educativo.

No cenário educativo brasileiro, os resultados dessa pesquisa devem contribuir para a construção de práticas educativas mais inclusivas, pois tem o potencial de reverter concepções ultrapassadas e que ainda guiam ações de alguns educadores, ainda, reforça a importância de estudos que investiguem os impactos da formação docente na inclusão de alunos com TEA. Além disso, o estudo pode fortalecer o apoio para práticas inclusivas melhores, buscando o fortalecimento de ações colaborativas e formativas para todos os profissionais da escola.

Outra constatação é que, apesar de todas as obras examinadas e reflexões levantadas durante a análise do corpus deste estudo, é que nenhum desses trabalhos desenvolve um estudo de caso empírico ou aplica diretamente as proposições em contextos educacionais de forma prática, limitando-se ao caráter teórico. Essa ausência de estudos aplicados evidencia uma lacuna na literatura atual, sugerindo a necessidade de investigações futuras que promovam a articulação entre teoria e prática de uma forma mais implícita, levando em consideração os desafios vivenciados cotidianamente por educadores que atuam com inclusão.


 

REFERÊNCIAS

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Recebido: 29/03/2026

Aprovado: 15/07/2026

 



[1] O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

[2] Mestrando em Educação Inclusiva pela Universidade Estadual do Maranhão PROFEI-UEMA. Atua como professor dos anos iniciais. São Luis, MA, Brasil. E-mail: prcarvalho585@gmail.com

[3] Mestrando em Educação Inclusiva pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Inclusiva da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Atua como professor da rede pública municipal de Teresina/PI e pedagogo social no CREAS de Timon/MA. São Luis, MA, Brasil. E-mail: igoarrais@hotmail.com

[4] Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Pará (PPGED-UFPA). Professor vinculado ao Departamento de Educação (DEPE) da Universidade Estadual do Maranhão, Belém, PA, Brasil. E-mail: prof.jerrysalazar@gmail.com