: PROPOSTA DE DOSSIÊ – REVISTA CIENTÍFICA/FAP – EDIÇÃO ESPECIAL

PROPOSTA DE DOSSIÊ – REVISTA CIENTÍFICA/FAP – EDIÇÃO ESPECIAL

 

 

1)      TÍTULO:

 

Cinema, Experiência e Subjetividades

 

 

2)      ORGANIZADORAS:

 

Prof.a Dr.a Beatriz Avila Vasconcelos (Unespar)

Prof.a Dr.a Juslaine de Fátima Abreu Nogueira (Unespar)

 

 

3)      DADOS DA REVISTA:

Histórico:

A Revista Científica/FAP é uma publicação semestral do Campus de Curitiba II - Faculdade de Artes do Paraná (FAP) da Universidade Estadual do Paraná - Unespar. Criada em 2006, a publicação tem por objetivo divulgar artigos, resenhas, entrevistas, traduções produzidas por Doutores (podendo Mestres serem coautores) em duas formas de chamadas: Dossiês Temáticos e Fluxo Contínuo para recebimento de artigos e ensaios situados nas áreas de Artes Visuais, Performance, Arte e Tecnologia, Cinema, Dança, Música, Musicoterapia e Teatro, nas suas mais variadas formas de análise disciplinar, fomentando, assim, o intercâmbio entre pesquisadores de diversas instituições de ensino nacionais e internacionais. Este número terá Dossiê Temático intitulado “Cinema, Experiência e Subjetividades”.

 

Indexadores:

A Revista Científica/FAP está indexada nos sistemas Latindex, Periódicos/Capes e Sumários e está disponível nas versões impressa (ISSN 1679-4915) até o ano de 2010 (número 5, de Jan. a Jun.) e on-line (ISSN 1980-5071).

 

 

4)      EMENTA DO DOSSIÊ:

 

Tecidas no ardor de uma guerra mundial que decompunha inteiramente um mundo, as reflexões do filósofo judeu-alemão Walter Benjamin ainda traduzem, e de forma ainda mais incisiva, muitas das tensões de nossa sociedade contemporânea .  Em seu famoso escrito “O Narrador”, publicado em 1936, em plena ascensão do Nazismo, Benjamin fala sobre o drama de sua época, de nossa época - de presenciarmos a morte do narrador, e, com ela, vermos findar-se a nossa característica humana quase atávica de fazer e trocar experiências. A arte de narrar entra em declínio no momento em que a vivência solitária (Erlebnis) sobrepuja a experiência coletiva, compartilhada (Erfahrung), silenciando-a:

 

É cada vez mais frequente que, quando o desejo de ouvir uma história é manifestado, o embaraço se generalize. É como se estivéssemos sendo privados de uma faculdade que nos parecia totalmente segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências. [...] Com a guerra mundial começou a tornar-se manifesto um processo que desde então segue ininterrupto. Não se notou ao final da guerra, que os combatentes voltavam mudos dos campos de batalha; não mais ricos, e sim mais pobres em experiência comunicável? (BENJAMIN, 2012, p.213-214).

 

            O horror nos emudeceu e tornou a existência inenarrável, inexperienciável. O resultado existencialmente mais dramático do trauma de uma guerra de proporções de destruição inimagináveis talvez tenha sido isto, este silêncio do inenarrável que, desde então, se interpõe entre nós e a vida e nos dificulta ou nos impede de fazermos dela uma experiência comunicável. E, como nos lembra Giorgio Agamben (2005), filósofo e leitor da obra de Benjamim, para realizar a destruição da experiência não é necessário uma catástrofe,

 

[...] basta perfeitamente a pacífica existência cotidiana numa grande cidade. Pois a jornada do homem contemporâneo já quase não contém nada que ainda possa se traduzir em experiência [...]. O homem moderno volta à noite para a sua casa extenuado por uma imensidade de acontecimentos – divertidos ou tediosos, insólitos ou comuns, atrozes ou prazerosos – sem que nenhum deles tenha convertido em experiência. (AGAMBEN, 2005, p.22)

 

            Este emudecimento da experiência confirma-se, de maneira particular, na profusão de grande parte dos discursos que perfazem nossa vida cotidiana: eles falam e falam e falam, mas não “narram”, no sentido posto por Benjamin, pois apontam para as coisas,  dissertam, argumentam, definem, condenam, aprovam, julgam e fazem todo o tipo de ações de linguagem, mas não nos põem em contato, narradores e ouvintes, não entrelaçam as nossas vidas, como o faz o discurso do narrador: “O narrador retira o que ele conta da experiência: de sua própria experiência ou da relatada por outros. E incorpora, por sua vez, as coisas narradas à experiência de seus ouvintes” (BENJAMIN, 2012, p.217).

            O entrelaçamento de vidas, que surge quando uma experiência é feita e comunicada, tem como pressuposto a afirmação das subjetividades, do narrador e do ouvinte, por via do narrado. A experiência, afirma o pensador argentino Jorge Larrosa, “é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca” (2002, p. 21). Assim, falar de experiência, fazer experiência, é sempre afirmar subjetividades, mais que isso, entrelaçá-las. Um discurso que se constrói sem esta afirmação e entrelaçamento não pode se constituir em um discurso de experiência. Por isso, observa Benjamin, “o que se derramou dez anos depois, na enxurrada de livros sobre a guerra, nada tinha em comum com uma experiência transmitida de boca em boca” (2012, p.214). Para que a experiência se faça, não basta falarmos das coisas, é preciso falar das coisas a partir de nossas bocas, de nossos corpos, de nossas almas, de nós e tornar essa manifestação ao mesmo tempo algo que diz respeito ao outro e que passa a fazer parte de uma coletividade (Erfahrung). Mas e o horror, que nos emudece e nos esconde de tantas formas, às vezes até mesmo na palavra “eu”?

            Há formas de resistência e a ideia deste dossiê é pensar em que medida o cinema pode se constituir em uma delas. As formas de resistência à morte da experiência existiram, existem, de diversas formas, mesmo no silêncio pleno de sentido, que pode se mostrar como uma forma outra de “narrar”, de comunicar a experiência incomunicável. Uma cena de Rapsódia em Agosto, de Akira Kurosawa (1991), surge aqui como uma aparição poética disto. Ali a avó, sobrevivente de Nagasaki, recebe a visita de uma amiga, que sobreviveu ao mesmo pesadelo. Pela conversa de seus netos, que observam a cena, sabemos que a visita, que acontecia regularmente há décadas, durava algumas longas horas. No quadro, um ambiente da habitação japonesa tradicional, uma chaleira sob o fogão rústico centralizada em primeiro plano; mais ao fundo, em uma composição mais ou menos simétrica, ambas as senhoras sentadas em solene silêncio diante, cada uma, de uma pequena xícara de chá, em uma forma única de comunicar o inenarrável, de fazer do horror vivido sob a destruição avassaladora de uma bomba atômica algo possível de ser compartilhado, tornando-o, assim, a despeito de todo o trauma, uma experiência. O silêncio então se estabelece ali, paradoxalmente, como forma de resistência ao emudecimento do vivido, e igualmente como forma de resistência, sutil e forte, à morte da experiência, à morte do discurso que narra – mesmo sem palavras - aquilo que “nos” passa. Formas assim potentes de resistência sempre se exerceram na vida e especialmente nas artes, uma vez que as linguagens das artes, por sua própria natureza de criação, jamais conseguiram banir inteiramente as subjetividades de seus discursos. São estes abrigos das subjetividades que impedem que a possibilidade de experiência se extinga por completo de nosso mundo.

            Partindo destas reflexões, propomos este dossiê com o fim de reunir trabalhos que pensem questões relativas à experiência e às subjetividades no contexto particular da arte cinematográfica, buscando, em diferentes direções, ressaltar possibilidades de o cinema resistir à morte da experiência.  Falar de experiência no cinema é falar do cinema como lugar de tornar comunicável o vivido, do cinema como lugar de afirmação e congregação das subjetividades, do cinema como instrumento de partilha, do cinema como espaço e como ato de viver... Ressaltar o cinema como campo de experiência é ressaltá-lo essencialmente como lugar onde algo “nos” passa, tendo nos sujeitos o eixo da reflexão. Este caminho se abre, assim, para estudos que se proponham a pensar a linguagem cinematográfica e seus efeitos de sentido sobre o público, a subjetividade criadora e sua manifestação nas poéticas, as estéticas cinematográficas e seus modos de afeto, os filmes a partir dos modos como constituem as subjetividades (na frente e atrás das câmeras e também diante da tela), as teorias a partir dos olhares e fazeres de cineastas,  os métodos de conhecimento no cinema e sua relação com os processos de criação e de vida, a contribuição do cinema (suas linguagens, seus espaços, suas formas de circulação, seus discursos) para a  formação dos sujeitos e para o depuramento de seu olhar (para a arte, para o outro, para si, para o mundo). A ideia é, em suma, pensarmos juntos, de diferentes perspectivas, sobre uma mesma questão: de que maneira o cinema pode tornar o vivido algo comunicável, partilhável, de que maneira ele se constitui como uma arte de resistência à extinção da experiência, de que maneira, enfim, ele pode nos salvar do terror de um mundo em que tudo se passa, mas nada se passa em nós?

 

 

 

REFERÊNCIAS

AGAMBEN, Giorgio. Infância e História: destruição da experiência e origem da história. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.

 

BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política, Obras escolhidas I. São Paulo: Editora Brasiliense, 2012.

 

LARROSA BONDÍA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber por experiência. Revista Brasileira de Educação. n. 19. Jan/ Fev/Mar/Abr 2002, p. 20-28.

 

RAPSÓDIA em Agosto. Direção: Akira Kurosawa. Spectra Nova, 1991. 1 DVD (98 min), NTSC, color. Título original: Hachi-gatsu no Kyōshikyoku.

 

 

5)      DIRETRIZES PARA AUTORES:

 

a)                 As contribuições devem ser enviadas diretamente pelo sistema de submissão de periódicos da Unespar, formato Word, com extensões “doc” ou “docx”.

b)                 Só serão aceitos trabalhos enviados com as devidas revisões, tanto no que se refere às normas da ABNT, quanto às da Língua Portuguesa padrão. Não teremos como fazer revisão gramatical/textual e nem da adequação aos códigos da escrita acadêmica, logo, essa questão é de inteira responsabilidades dos autores. cabe destacar que a tradução de título, biografia e resumo para a língua estrangeira são também de responsabilidade do(s) autor(es).

c)                  O artigo deverá ser enviado sem qualquer identificação de autoria no documento anexado, pois autoria e coautorias devem ser indicadas no cadastro do texto. A biografia deve ter de 3 a 4 linhas e ser incluída apenas no sistema, contendo o vínculo institucional e as formações acadêmica e/ou artística. Não serão aceitos artigos de Mestrandos, mesmo que tenham sido escritos em coautoria com seus orientadores.

d)                 Os textos devem ser inéditos e escritos em uma das seguintes línguas: portuguesa, inglesa, francesa ou espanhola. Devem conter no mínimo 16 e no máximo 22 páginas, incluindo referências.

 

FORMATAÇÃO

1 Título em negrito (com ou sem subtítulo);

1.2 resumo em língua vernácula (mínimo de 150 e máximo de 250 palavras, em fonte Arial, tamanho 12, com entrelinhamento simples, justificado e sem recuo);

1.3 palavras-chave em língua vernácula, separadas por pontos finais (até 5 palavras);

1.4 título em língua estrangeira (com ou sem subtítulo);

1.5 resumo em língua estrangeira (mínimo de 150 e máximo de 250 palavras, em fonte Arial, tamanho 12, com entrelinhamento simples, justificado e sem recuo);

1.6 palavras-chave em língua estrangeira separadas por pontos finais (até 5 palavras);

2 Os trabalhos devem ser digitados em Word e devem seguir as diretrizes abaixo:

2.1 texto escrito em fonte Arial, tamanho 12, justificado e em entrelinhamento de 1,5 cm;

2.2 notas de rodapé, quando necessário, fonte em tamanho 10, justificado e com entrelinhamento simples;

2.3 parágrafos com recuo de parágrafo de 2 cm;

2.4 espaço duplo entre partes do texto;

2.5 páginas configuradas no formato A4, com numeração.

 

CITAÇÕES DENTRO DO TEXTO

Nas citações de até três linhas, feitas dentro do texto, o nome do autor deve ser citado entre parênteses, pelo sobrenome, em letras maiúsculas e separado da data da publicação, por vírgula. A especificação da(s) página(s) deverá seguir a sequência de data, separada por vírgula e precedida de “p.”, como em (SILVA, 2000, p. 100), por exemplo. Se o nome do autor estiver citado no texto, indica-se apenas a data, entre parênteses, “como Silva (2000, p. 100) assinala...”. As citações de diversas obras de um mesmo autor, publicadas no mesmo ano, devem ser discriminadas por letras minúsculas após a data, sem espaçamento, (SILVA, 2000a, p. 25). Quando a obra tiver dois ou três autores, todos os nomes poderão ser indicados, separados por ponto e vírgula (SILVA; SOUZA; SANTOS, 2000, p. 17); quando houver mais de três autores, indica-se o primeiro seguido de et al. (SILVA et al., 2000, p. 155). As citações com mais de três linhas devem ser destacadas, ou seja, apresentadas em bloco, em fonte tamanho 10, espaço simples e com recuo de parágrafo de 4 cm.

 

REFERÊNCIAS

As referências devem conter informações de todos os autores, sites, imagens, textos sem autoria, notícias entre outros materiais utilizados/citados no texto

 

ILUSTRAÇÕES

As imagens devem ser enviadas em formato JPEG, PNG ou GIF, diagramadas no arquivo do texto e TAMBÉM enviadas em arquivos separados, como documento suplementar, durante o processo de submissão do artigo. Cada arquivo de imagem deve ter no mínimo 100 e no máximo 300 dpi. O uso de imagens em geral tem que ser acompanhado de uma legenda constando fonte, nome do autor, local (no caso de fotografias) e data.

 

PRODUTOS AUDIO VISUAIS

Os arquivos audiovisuais podem ser submetidos como documentos suplementares nos formatos MP3, MP4 ou AVI. Recomenda-se, também, o uso de materiais disponíveis no depósito dos arquivos de vídeo, no portal Internet Archive, de sons, no portal Petrucci Music Library, bem como de arquivos diversos em Domínio Público.

 

CONDIÇÕES PARA SUBMISSÃO:

Como parte do processo de submissão, os autores são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores.

  1. A contribuição é original e inédita, bem como não está sendo avaliada para publicação por outra revista. Caso contrário, deve-se justificar em "Comentários ao editor".
  2. O arquivo da submissão está em formato Microsoft Word.
  3. URLs para as referências foram informadas quando possível.
  4. O texto escrito em fonte Arial; tamanho 12; justificado e em entrelinhamento de 1,5 cm; emprega itálico em vez de sublinhado (exceto em endereços URL); as figuras e tabelas estão inseridas no texto, não no final do documento na forma de anexos.
  5. O texto segue os padrões de estilo e requisitos bibliográficos descritos em Diretrizes para Autores, na página Sobre a Revista.
  6. Em caso de submissão à avaliação pelos pares, as instruções disponíveis em Assegurando a avaliação pelos pares cega foram seguidas.

 

DECLARAÇÃO DE DIREITO AUTORAL

Os autores detém os direitos autorais, ao licenciar sua produção na Revista Científica/FAP, que está licenciada sob uma licença Creative Commons. Ao enviar o artigo, e mediante o aceite, o autor cede seus direitos autorais para a publicação na revista.
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POLÍTICA DE PRIVACIDADE

Os dados cadastrais, referentes a nomes, endereços e outros dados presentes no sistema de periódicos, serão utilizados exclusivamente para a publicação e não serão disponibilizados para outros fins ou a terceiros.

 

 

4)      PRAZOS:

 

Até 05/03/2018, o texto deve ser submetido ao comitê científico da revista, para avaliação dos pareceristas da revista, mediante a realização de cadastro, no site da Revista Científica/FAP:

http://periodicos.unespar.edu.br/index.php/revistacientifica/user/register

 

Previsão de publicação do dossiê: primeiro semestre de 2018.

 

 

Aguardamos, então, o retorno de vocês, agradecendo a parceria conosco desde já!

Abraço!

 

Beatriz Avila Vasconcelos (Unespar)

Juslaine de Fátima Abreu Nogueira (Unespar)

Organizadoras