Corpo incômodo: (re) existências e reelaborações dos afetos em Linn da Quebrada.

Leandro Mendanha e Silva, Mateus de Andrade Pacheco

Resumo


Este artigo se apoia na potência performativa e discursiva de Linn(da) Quebrada para pensarmos, a partir do seu diagnóstico – vivido e artístico – dos “problemas de gênero” e da sua criação ao mesmo tempo subjetivadora e desestabilizadora, sobre os campos da educação e da história. Para isso, fazemos interconexões do seu saber-fazer com a Pedagogia Queer e a História Pública. Consideramos que é uma maneira de trazer as experiências, inquietações e experimentações vividas por grupos sociais marginalizados – transfiguradas pela arte entendida como martelo e experimento – para o centro dos problemas enfrentados por aqueles campos na atualidade. O que significa dizer isso? Significa pensar uma educação que incorpore positivamente o confronto, a problematização e a desestabilização como parte do seu fazer e do seu saber. Significa pensar uma história que promova uma escuta atenta de outras vozes e saberes sem a pressuposição de uma superioridade dada de antemão, e que ao fazê-lo conte sobre a invenção e reinvenção de seus sujeitos (subjetivação) e objetos (objetivação). Nesse sentido, é estar aberto a se contaminar com outras ideias e vivências, a pensar em novas relações, conexões e encontros para além dos que já aparecem para cada um de nós como dados e ou imutáveis e a se postar, para isso, em diagonais e ângulos à primeira vista inusitados. A arte de Linn da Quebrada é interpelação urgente em discurso direto. Justamente por isso, ao analisá-la, faz-se necessário deixar-se envolver por sua atmosfera e tônica, pelos caminhos em que deboche e raiva mesclam-se para realizar desconstruções naquele corpo que performatiza (re)existências. Seguir os percursos de Linn é um convite a transformar-se.


Palavras-chave


Linn da Quebrada; Queer; Música; Reexistência; História Pública

Texto completo:

98-117

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