A Filosofia no Ensino Médio em Moçambique: Uma perspectiva política

Valmir Flores Pinto, Samuel Antonio de Sousa

Resumo


O ensino de filosofia no ensino médio constitui uma realidade em Moçambique a partir da independência política e vem com propósito de contribuir para as soluções dos problemas que o país estava a viver. Depois da independência em 1975, o país conheceu momentos conflitantes, como a guerra civil, existência do monopartidarismo, a ausência da democracia e a liberdade de expressão. A inclusão da filosofia no currículo de ensino médio, a partir dos anos 90, tinha como finalidade contribuir para o desenvolvimento  epistemológico, moral e político dos estudantes do ensino médio. Refira-se, segundo Ngoenha (1993), que a questão central da filosofia política é a liberdade como um esforço filosófico, o qual não pode deixar de se inscrever no quadro de um esforço africano mais global ligado ao nascimento da filosofia africana que, por seu turno, está intrinsecamente ligado à busca da identidade que caracteriza a visão africana. Portanto, a introdução da disciplina de filosofia no ensino médio alinha na necessidade de responder a uma causa comum de África em dotar os estudantes/cidadãos de uma visão africana que permitisse encontrar soluções dos problemas sociais de vária ordem assentes na indagação do mundo.

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