O corpo carioca no imaginário turístico do Rio de Janeiro

Isabella Vicente Perrotta

Resumo


Embora a praia não tenha sido sempre um elemento de territorialização, turistificação ou identificação da cidade do Rio de Janeiro, já há muito tempo que o é. Se no século XIX a cidade era imaginada pelas paisagens e aspectos da natureza reproduzidos pelas tintas dos artistas viajantes, no século XX o carnaval, o futebol e suas praias (não mais como paisagem, mas enquanto espaço de fruição) fizeram sua fama. E também as (supostamente belas) mulheres que frequentam as praias e que, em algum momento, saem delas. Fatos, versões e construções culturais levaram a crer que seus corpos, muito expostos – especialmente o da mulata – estão disponíveis, na praia, no carnaval, nas ruas e na noite da cidade. E, mais recentemente, o corpo masculino – idílica e supostamente esculpido pelos esportes praticados ao ar livre– também passou a fazer parte de um imaginário de experiências turísticas da cidade, para além de suas atrações convencionais. Muito se diz que essa é uma construção imputada pelos agentes estrangeiros. Contudo há, claramente, indícios de aceitação e/ou adoção dessa imagem tanto pelas vozes populares quanto pelos órgãos oficiais. Assim como o Rio é dito como “o lugar mais bonito do mundo”, por cariocas que jamais saíram de sua cidade, há também uma crença nativa de superioridade da beleza da mulher brasileira, embora uma grande parte do povo brasileiro seja fisicamente mal tratada e sem glamour, e a obesidade esteja por volta de 20%. O objetivo desse artigo é visitar alguns momentos dessa construção e alguns exemplos da disputa entre a aceitação e a rejeição dessa imagem.

Texto completo:

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