Epistemologia e ensino de ciências na educação infantil: análise documental e dialógica

Sandra Regina Gardacho Pietrobon, Nájela Tavares Ujiie, Antonio Carlos Frasson, Nilcéia Aparecida Maciel Pinheiro, Edson Jacinski

Resumo


O trabalho apresentado tem, por prerrogativa, identificar a epistemologia que sustenta o ensino de ciências no espaço-tempo da educação infantil, mediante a análise documental e dialógica de seus principais documentos norteadores oficiais, como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009) e o documento preliminar da Base Nacional Comum Curricular, com a seguinte problematização: Que epistemologia embasa os documentos oficiais que orientam as práticas pedagógicas na área de ciências na educação infantil? Assim, a mesma constitui-se por uma pesquisa qualitativa e exploratória, com foco no ensino de ciências para a educação infantil e as possíveis epistemologias que dão base aos documentos. Para tanto, buscou-se realizar um estudo bibliográfico destacando o conceito de ciência e epistemologia, bem como o delineamento da educação infantil e sua especificidade, que é o atendimento às crianças de 0 a 5 anos, com a tríade cuidar, educar e brincar. O professor da educação infantil, ao trabalhar com os conteúdos circunscritos nessa etapa, orienta-se por documentos que trazem critérios e proposições de organização das propostas pedagógicas. Estes documentos, ao terem uma base teórica e epistemológica traduzem um forma de ensinar e mediar os conteúdos, o que resulta em aprendizados diferenciados a depender do contexto de ensino. No estudo empreendido, observou-se, por meio da análise documental, que a epistemologia que mostra-se nos documentos caminha na vertente interacionista, com viés dialógico e problematizador dos conteúdos. Esta vertente considera a criança como sujeito partícipe do processo de ensino-aprendizagem, e que sua vivência e saberes são importante no momento em que os professores discutem e questionam os conteúdos situados no contexto real das mesmas. O professor, nessa abordagem, é mediador do processo, alguém que organiza as situações de ensino de maneira colaborativa, tendo o diálogo e a troca como fontes de interação entre sujeitos, objeto de conhecimento, e  realidade contextual.


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