Estratégias para o desenvolvimento da autonomia do aluno de língua inglesa

Elisangela Lima de Carvalho Schuindt, Odete Burgeile, Gisele Caroline Nascimento dos Santos

Resumo


Objetiva-se com o presente trabalho elencar possíveis estratégias didático-pedagógicas facilitadoras para o desenvolvimento da autonomia de alunos na aprendizagem de língua inglesa. Para tanto, efetuou-se uma pesquisa qualitativa via questionário (LOWES E TARGET, 1998) e observação participante sobre o papel da metacognição no processo da aprendizagem autônoma. Os sujeitos participantes da pesquisa foram alunos de um curso livre de idiomas, o PBF Inglês e Espanholem Porto Velho - Rondônia. Como teóricos de referência para a análise das possíveis estratégias que possibilitem o desenvolvimento da autonomia do aluno de língua inglesa priorizou-se O’Malley e Chamot (1990); Holec (1981); Miccoli (2010); Paiva (2009). O presente trabalho, entretanto, enfatiza a estratégia metacognitiva (OXFORD, 1990) também denominada estratégia orientadora (guidinghand) por direcionarem o processo de aprendizagem, o que justifica tal opção. A análise dos dados coletados demonstra que a aquisição da aprendizagem, associada à reflexão da maneira como se aprende, revela-se como ferramenta significativa para descoberta de habilidades e estratégias que contribuem, ou não, para o desenvolvimento da autonomia na aprendizagem. Todavia, salienta-se que apenas a reflexão sobre o próprio processo de aprendizagem não é estratégia suficiente para formar alunos autônomos. É necessário que o docente tenha clareza quanto à direção que dará ao processo. Ressalta-se que os dados apontam atividades que poderiam ser utilizadas tanto em sala de aula como fora dela, com vistas à aprendizagem autônoma. Delineia-se, como pesquisa, possíveis recursos estratégicos que proporcionam aos alunos o desenvolvimento da autonomia, que envolve mudanças na maneira pela qual o professor e aluno pensam/constroem continuamente o ensino-aprendizagem. Dessa forma, o professor torna-se um agente de oportunidades para que o aluno possa refletir, negociar e tomar decisões favoráveis ao seu crescimento.


Texto completo:

135-146

Referências


Autonomia é a “habilidade de encarregar-se de sua própria aprendizagem” (HOLEC, 1981, p.3)

Segundo Holec (1981) autonomia é a habilidade que indivíduo possui de gerenciar a própria aprendizagem. Ainda de acordo com o autor esta habilidade pode ser adquirida; ela não é nata e também não é um comportamento, mas a capacidade para fazer algo.

A definição para autonomia dada por Micolli (2010, p.32) é aquela apresentada no dicionário Aurélio: “autonomia é a capacidade de governar-se a si mesmo”. No contexto educacional, para Micolli, autonomia é uma atitude percebida quando o aluno demonstra que assumiu responsabilidade pelo seu próprio processo de aprendizagem.

De acordo com Silva (2008, p.43) “no aprendizado de língua inglesa a prática interativa construtiva e o poder de escolha são posturas muito úteis para o surgimento da autonomia”.

Segundo Rajagopalan (2003, p.70), o principal objetivo do ensino de línguas “é formar indivíduos capazes de interagir com pessoas de outras culturas e modos de pensar e agir. Significa transformar-se em cidadãos do mundo”. Ainda de acordo com o autor existe uma nova definição cultural em relação à aprendizagem de línguas:

"Nesse processo, não faz o menor sentido falar em perdas e ganhos. Nós simplesmente nos transformamos em outras pessoas. Afinal, é na linguagem e através dela que as nossas personalidades são constantemente submetidas a um processo de reformulação." (RAJAGOPALAN, 2003, p.61)

Pennycook (1997) defende um projeto educacional de ensino de línguas que procure criar aprendizes autônomos, promovendo-os com maneiras alternativas de ser e pensar no mundo; um projeto que procure abrir espaços para os educandos lidarem diferentemente com novas culturas, tornando-os atores sociais atuantes na construção de seu próprio mundo.

Cohen (1996), afirma que as estratégias de aprendizagem são como passos ou ações escolhidas pelos estudantes para melhorarem a aprendizagem, o uso da língua ou ambos.

Quadro 1: Classificação das estratégias de aprendizagem, com base em Oxford (2007)

Fonte: OXFORD, R. A. Teaching and researching language learning strategies: psychological, sociocultural and technological perspectives (2007, p.3).

A estratégia metacognitiva é a estratégia que, segundo Oxford (1990), se encarrega do papel de organizar o modo como se aprende através da reflexão.

Segundo Oxford (1990, p.1) “estratégias de aprendizagem são passos dados pelos alunos para melhorar a qualidade de sua própria

aprendizagem”

“O desenvolvimento da autonomia é um processo que exige mais do aprendiz.” (MICCOLI, 2010, p 10).

Paiva (2005 p. 34), afirma que “tanto professor quanto alunos devem saber que seus papéis em sala de aula são limitados o professor não pode ensinar tudo, e o aluno não deve esperar que através do professor se aprende tudo”.


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