Diário de leituras por universitário: vozes enunciativas e filiações de sentidos

Sandra Patrícia Ataíde, Ângela Alves de Araújo Barbosa, Fabíola Mônica da Silva Gonçalves, Vanessa Cavalcante Pequeno

Resumo


Resumo. O presente trabalho filia-se à perspectiva Sócio-interacionista e à Análise de Discurso Brasileira, tendo por objetivo geral analisar a interpretação textual de um professor-leitor em formação a partir da produção de diário de leituras e por objetivos específicos (i) identificar as gestões de vozes mobilizadas pelo agente-leitor na produção do diário de leituras; (ii) explicitar as filiações nas redes de sentido (interdiscurso) inscritas no diário de leituras pelo sujeito-leitor. O desenvolvimento da leitura ocorre mediante a construção do diário de leituras, um gênero de texto (Machado, 2009), constituído na medida em que o agente-leitor lê um texto. Assume-se o próprio diário de leituras como instrumento investigativo. O procedimento metodológico está delineado em três momentos: (i) análise do contexto físico e sociossubjetivo; (ii) análise da gestão de vozes; (iii) análise do interdiscurso – afiliação nas redes de significação,  da polissemia e paráfrase.  Os dois primeiros momentos baseiam-se na proposta de Bronckart (2003, 2006) e o segundo momento baseia-se na proposta de Orlandi (2005a, 2005b). As vozes enunciativas identificadas totalizaram em cinco vozes explícitas e três implícitas, promovendo o diálogo social na atividade de leitura e possibilitando a construção dos percursos interpretativos e o movimento de sentidos, na leitura textual, trilhados pela professora-leitora. A leitura encontra-se afiliada ao discurso de contextos acadêmicos e de formação de professores, estando a leitora em concordância com a proposta apresentada pelo autor do texto-base, Carl Rogers.

Palavras-chave: Linguagem, leitura, universidades.

 


Texto completo:

178-198

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